Peguei o taxi meio mal-humorada, sem entender porque cargas d’água o produtor do show do Glenn Hughes marcou a apresentação na Ilha dos Pescadores, conhecido reduto de pagode na Barra da Tijuca. Por que não no Circo Voador ou em algum outro lugar de acesso mais fácil e clima mais roqueiro? Nos papos roqueiros das últimas semanas só se comentava o medo do show ser um tremendo fracasso de público.
O taxi seguiu até o reduto pagodeiro da Barra. Aos poucos, para meu alívio, a galera ia chegando e se espalhando pelo estacionamento e na frente do portão. Felizmente, já se via algum público para o show. Mas, como a abertura da casa atrasou e, de tempos em tempos, a lagoa exalava um fedor horroroso, ficava difícil permanecer ali na espera.
A turma roqueira tentava descobrir um lugar próximo que vendesse cerveja já que não havia sequer um ambulante nos arredores. O jeito era andar na semi-escuridão até a loja de conveniência do posto, do outro lado da Estrada da Barra, à cata de cerva gelada. Em pouco tempo a galera já se espremia em filas com suas latinhas na mão.
De volta ao deque da Ilha, já com o acesso liberado, descubro que a casa de shows é até simpática. Assim que se entra, ainda à céu aberto, mesas espalhadas por um pátio grande arborizado, Metállica no telão e mesa de sinuca. Bacana.
No interior do salão refrigerado - amplo e escuro, a surpresa de que o recanto dos pagodeiros se presta bem a um show de rock. Uau!
Segue a noite com a banda de abertura, um roquezinho fraco e totalmente fora do contexto do show principal. Hora de bater papo no pátio.
Um pouco mais tarde, Mr. Glenn Hughes sobe ao palco. A platéia não era tão grande, a acústica não era tão boa, mas ainda assim, que show assistiríamos!
Acompanhado por uma banda apenas competente (Søren Andersen (guitarra), Anders Olinder (teclados) e Pontus Engborg (bateria)), o ex-vocalista/baixista do Deep Purple e atual membro da superbanda Black Country Communion, trouxe seu hard rock swingado com pitadas de soul, rhythm & blues e funk enlouquecendo a galera presente.
Para deleite do público, Hughes tocou músicas de sua carreira solo (destaque para "Can’t Stop the Flow", fantástica!), músicas do Trapeze (destaque para “Medusa”, recentemente regravada pelo BCC) e claro, músicas do Purple (“Mistreated” foi cantada por todos, emocionando o público e a banda; “Burn” fechou a noite e levou a galera ao delírio lavando a alma de todos presentes, sensacional!). Absolutamente todas as músicas do show foram recebidas com empolgação pelo público que, apesar de pequeno, prestigiou, de fato, o enorme talento de Glenn Hughes.
O carismático vocalista/baixista arrasou no palco, com sua simpatia e animação, não deixando o nível do show cair hora nenhuma, mantendo o público acesso todo o tempo, totalmente conectado. Ao final do show a certeza: aos 59 anos Gleen Hughes está em plena forma, apresentando um show cheio de vigor e, ainda, senhor absoluto do título “A Voz do Rock”. Sensacional. O cara canta muuuuuuuito!!!!!!!!!
Peguei o taxi de volta pra casa, agora bem-humorada e ponderando que o local do show estava longe de ser o ideal, mas também não era tão ruim assim. O importante é que ali se apresentou um grande nome do rock and roll mundial, o talento vocal ímpar, que é Mr. Glenn Hughes. Que voz, que show!
Set list:
Muscle and Blood
Touch my Life
Sail Away
Medusa
You Kill Me
Can’t Stop the Flood
Mistreated
Keepin’ Time
Stormbringer
Soul Mover
Bis:
Addiction
Burn
Duas palhinhas do show:
Stormbringer
http://www.youtube.com/watch?v=W3N-cjRnBoo
Burn
http://www.youtube.com/watch?v=wi5uyWwdO40
Hasta!